


Muito tempo atrás, quando biologia ainda era Ciências Naturais e professora era Tia e escola tinha um gostinho de lazer, a qual o conteúdo do ciclo da vida habitava a ponta da língua e do lápis para conseguir um resultado excelente na temida prova. ‘Nascer, crescer, reproduzir e morrer’ o objetivo do ser humano determinado pelos livros cheios de figuras e proferido pelo oráculo do saber, a Tia.
Nascer, como fazia as sementinhas de feijão repousadas no algodão úmido dentro das vasilhas de margarina adornadas por uma fita adesiva tingida com o nome dos donos. A semente toda enrugada eclodia e dava lugar a um raminho frágil e verde, o qual buscava a luz. Alguns não germinavam, fazendo o proprietário invejar os outros e bravejar contra as orientações do livro e do oráculo.
Ela crescia, crescia e crescia... e a Tia dava todas as instruções para ajudar nesse processo. Água, luz e cuidados! Esse era o segredo para prosseguir no ciclo. E com o tempo, já estava ereta dando folhas e a característica de semente foi abrindo espaço para uma nova forma. E no livro tinha uma figura de uma criança ao lado da ilustração de uma plantinha, igual o pezinho de feijão.
O ciclo tinha que continuar, e pensava o que faria com os novos feijõezinhos, talvez não interrompesse o clico seria o certo, sendo que todos têm direito a viver o que é determinado ou não?! Com o tempo a vasilha de margarina foi ficando pequena demais para comportar a dimensão da planta. Sem importar muito com esse fato tomados por um clima de competição, todo dia no começo da aula era o momento ideal para conferir quais plantas estavam no topo do ciclo.
Não demorou muito morreu todas as plantas, sem mesmo passar para fase da reprodução. Os planos para as novas sementes só ficara na imaginação e a competição ficou sem ganhador, pois não houve salvação para nenhuma plantinha. Chegar ao porque da morte era complicado, pois algumas morreram por excesso de cuidado, luz e água e várias por ausência. Na verdade dessa vez a Tia não conseguiu achar uma explicação mais convincente. Ela simplesmente mandou a faxineira jogar todos aqueles cadáveres fora e virou a página do livro iniciando outro capítulo.