Ainda não...

Ainda não vendi minha alma para qualquer interessado em meus gostos ou sonhos. São empregos, concursos, estudos, materiais, viagens, prazeres e fuleragens do dia-a-dia circulando no e-mail, TV, jornal, caixa de correio, rua, camisetas e... em minha pessoa. Em cada centímetro do meu corpo o marketing faz presente, quando não é em meus cremes, são minhas roupas e quando fico nua é a moral. E ainda tem gente recriminando quem procura responder a excêntrica pergunta: Quem eu sou?

Como dizem as más línguas: Freud explica. E se ele não explicar dou a dica, pergunte a Lacan e se novamente manter um monólogo apático procure Foucault. Ah! Se preconceitos e mudanças sociais gerassem pensadores tão completos e lúcidos, seria pecado pedir uma pitada de mal a cada dia? Pois, é doce as palavras do transtornado e questionador Foucault a sociedade heterossexual, as loucuras de Nietzsche perante o pudor cristão e as melancolias das músicas de Renato Russo por não entender a sua natureza.

E agora o meu choro, não é somente meu choro e, sim, algo traduzido através da técnica e sistematização da psicanálise. O meu nu não é somente carne e pêlo, e, sim, é normalizado pelas minhas roupas. E tudo se transforma em um grande outdoor de normas e técnicas, até esse julgamento. Ah! E a perguntar: ‘Quem eu sou?’, infelizmente não será respondida para um indivíduo, a resposta está como em uma revista badalada em sua coluna de previsão do horóscopo dedicada a milhares de leitores

Escrito por Suzane Ferreira às 21h23
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