Tenho medo desse homem.

Hoje entendo porque na Europa não existe aquela febre insana do cristianismo reformado. Também depois da 2º Guerra quem queria se lembrar que um dia foi cristão? Hannah Arendt me surpreende quando diz algo nada óbvio no seu livro “Responsabilidade e Julgamento”.

Imagine católicos e protestantes religiosamente pegando o seu hinário ou sua Bíblia e caminhando para a matine do domingo. Sentam e ouvem sobre o inferno, o céu e toda miséria que é o homem! Esse mesmo homem ajoelha e com lágrimas de uma pressão momentânea clama por um perdão com fervor malandro de garantia do deleite eterno.

Passa um tempo estabelece um novo governo na Alemanha onde estão esses devotos cristãos. Aquele homem que tanto temia o inferno, ou seria tanto desejava o céu, recebe uma oportunidade de emprego. Sem pensar muito aceita feliz, pois quem tem mais do que batatas para comer em plena época de construção do país, é um homem de sorte.

Um pequeno oficio, tinha que pesquisar nos cartórios todos os alemães judeus. Queria mostrar trabalho, e quem sabe ser futuramente promovido. Juntou todas as papeladas e menos do tempo estipulado já tinha a lista da seção confiada. A promoção foi instantânea e no peito brilhava uma estrela de alto escalão. O trabalho agora era capturar os judeus daquela lista que tinha feito.

O homem contente com o poder e confiança imputada em sua capacidade, esforçou bravamente para terminar novamente um tarefa com mérito. Os superiores maravilhados com tal dedicação e eficácia, o nomeou Diretor-Chefe do campo de concentração. Em seu rosto o sorriso estampado por tal crescimento não hesitou em manter a boa fama.

Com muito orgulho acordava cedo no domingo para participar do desfile e comício. Levava a família bem vestida e saudável para sentar na platéia a assistir de perto a sua acessão e glória. Batiam palmas e vibravam por cada palavra de ordem pronunciada pelo Líder. E o homem no seu íntimo sorriu e pensou não ter tanta sorte e fortuna como em outros tempos.

Passaram os anos, a guerra acabou. O homem guardou a farda e a estrela com brilho vergonhoso em uma caixa de papelão e jogou fora rasteiramente, quando chegou um novo governo. Saiu para procurar emprego. E no domingo, vestiu o terno esquecido no guarda-roupa de velhas praticas cristã, pegou a Bíblia no criado mudo e foi à Igreja.

Escrito por Suzane Ferreira às 19h24
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