Tudo Passa

Noite de lua cheia. Sento na cadeira de balanço para ver aquele queijo enorme no céu. Aponto o dedinho e começo contar... um, dois, três buraquinhos. A cadeira embala com o mover das minhas pernas em conjunto com meus ansiosos e infelizes pés, porque não tocam a grama.

Sorrio para o nada. O escuro é medoinho e involuntário me abraça. Tremo, choro, grito até aparecer alguém para explicar que tudo passa. Não importa se for uma criança, um adulto ou meu amigo imaginário creio no que me dizem e sonho com as possibilidades irreais.

E a lua ainda esta lá. Ouvi dizer que ela não fica parada como a vejo. Gira envolta da terra cantando e saudando seus admiradores. É triste, feliz, tímida e excêntrica. Coitado do poste da rua... parece ser tão inútil quando ela se exibe pura no céu do quintal da minha casa.

O sereno cai de mansinho e já é tarde. Desdobro as pernas destreinadas e toco o chão. Ouço o ranger da cadeira e caminho firme pelo escuro. O medo não é mais algo fora de mim. Não grito assustada quando o sinto. Infelizmente ele passou e levou junto os sonhos e as incertezas. 

A grandeza da lua, do poste, da distância dos meus pés para alcançar o chão diluiu no tempo. Tudo ficou tão pequeno e tão insignificante. O conhecimento suplantou as fantasias, a ordem à leveza de espírito, o tempo ao medo. Quando gritei e alguém disse que tudo passa, acreditei... só não esperava que para isso precisava passar a infância.

Escrito por Suzane Ferreira às 15h58
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