Todos os excessos
Chegou o Carnaval, como li em um jornal: Momento que é permitido todos os excessos. A salvação de um ano inteiro para alguns, descanso para outros, momento de protesto para os conservadores e boas vendas para as cervejas.
Um ótimo momento para quebrar promessas e voltar a beber, dá um olé na carência, cair na festa sem ser recriminado... tudo e mais um pouco que não seria possível fazer se não fosse Carnaval. E aprender técnicas populares como eliminar o liquido bebido durante a farra.
Árvores, carros, paredes, grama, qualquer lugar onde a gravidade não atrapalhe, são usados para desenvolvimento de conversas mais íntimas, se você me entende. Já ouvi cada história. Só lamento não ter alguma presenciada por essa pacata pessoa.
Na minha vida, carnaval sempre esteve ligado a uma coisa: Feriado. Esse utilizado para ir à fazenda. Nada de frevo. O caso era descansar e ouvir as vaquinhas ensaiando as marchinhas da minha folia.
No teto havia telhas de aranhas soltas e espalhadas como serpentinas. No chão os besouros e outros insetos como confetes. Quando já era noite os vaga-lumes ficavam incumbidos da arte luminosa. Não esquecendo das senhoras vaquinhas que ensaiaram o dia todo, encontravam-se juntas no curral cantarolando.
A galinha, coitada perdeu a festa por motivos gastronômicos! Foi comida naquela noite com farinha e Coca-Cola. Eita trem bão! De manha para curar a ressaca de tanta agitação, era só correr para o córrego e cruzar os dedos à espera do efeito da chuva de verão. Água lamacenta e transbordando, e da-lhe enxurrada.
Carnaval assim só na minha infância, porque com tempo aprendi que a vida em excesso é prejudicial. Até mesmo o excesso da calma, memória, monotonia, finzinho...
Escrito por Suzane Ferreira às 19h22
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