Saudade
Demorei mais descobri o sentido dessa danada de saudade. Todo mundo fala, canta, escreve... E continuava sem entender. Tristes são as definições para tal conceito... É sentir um vazio no peito... Pontada no coração... Tristeza incontrolável. Talvez a definição aceita em geral seja: Falta de algo.
Não sei porque com o tempo comecei sentir saudade da minha infância na roça. Eita trem bão! Aquele cheiro de esterco, o leite tirado na hora, lama, lama e mais lama. Até um “Eu era feliz e não sabia” foi suspirado. Em pensar que na minha adolescência toda passei a não querer nem relembrar essa maravilha.
Ah! Ninguém merecia ficar dias e dias sem um computador, telefone, gente!!! Que desespero! Enquanto isso os velhos aproveitavam, como se o mundo fosse acabar e tivessem voltado para as recordações mais remotas e bonitas. E eu lá!
O córrego já tinha ficado raso, ou eu tinha crescido?! O pasto parecia tão pequeno e o curral não servia como divertimento. Era um tédio, tudo aquilo. E como o tempo, veio uma saudade de tudo isso. Nostalgia feros e esquisita. Tenha medo quando isso ocorrer com você, creio ser o primeiro indício da velhice, no caso precoce.
Ah! Quantas vezes sentei com os amigos e fiquei horas tentando explicar a filosofia do esterco. Como é difícil entender a magia que aquele cheiro remete aos saudosos dias de infância. Esterco não é bosta, é um produto maravilhoso e louvável. E nem faça essa cara de nojo!!!
A saudade era tanta, que não entendia a minha repudia da época da adolescência. E na primeira oportunidade para rever tal cenário, aceitei rapidamente o convite. Na trajetória espionei cada centímetro de grama verde. As cercas deitando com a velocidade do carro. Algumas árvores perdidas na imensidão do pasto. Respiro fundo quando aproximo do curral, as vaquinhas tranqüilas andando no meio da estrada.
No primeiro instante todas as lembranças afloraram. O ápice da nostalgia se revelou com o odor da urina do gado. Não lembrava que era tão enjoativa assim! Olhei para os lados e por um instante toda aquela saudade tinha sumido. A vontade de voltar para casa era consolada pelo fato de esta ali só de passagem.
A saudade evaporou mais ligeiro do que acetona em frasco aberta. Agora entendo porque só existe saudade de ex-namorado, enquanto ele é ex. De amigo chato, quando esta longe. De faculdade nas férias...
Escrito por Suzane Ferreira às 13h27
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Me dá um real de atenção!
Quem já não passou por aqueles dias cruéis e intermináveis? A ponto de mendigar atenção até do seu bichinho de estimação! Parece que tudo esta ao avesso ou simplesmente você esta invisível. Não tem outra explicação para entender um Tsunami de azar e acontecimento.
Depois, os outros não entendem como é difícil ser um legítimo Finzinho de Feira. Não é para qualquer uma não, viu! Essa vida de pulgões e caixas cheias de farpas cutucando sua parte traseira, dianteira e tanto faz, deprime até um tomatinho longa vida. Tirando às vezes dos tiros certeiros dos passarinhos, os mijos dos cachorros e o abandono total.
Tudo, bem... Eu assumo! Esse papo esta muito deprimente, triste e inútil. Mas vai piorar. Se não, não estaria pedindo um Real de atenção dos... (Agora posso falar)... Leitores e Curiosos. Tem realmente aqueles dias insuportáveis, como o de hoje, o de ontem... antes de ontem, deixa para lá.
Não acreditava em azar, e muito menos em coincidência. Até então, isso era supertição ou uma desculpa boa para contar para o chefe. Ah! Quem dera. Após algumas experiências laboratoriais comecei a pensar de uma forma diferente. Como uma célula em um vidrinho, um ser maligno ou simplesmente azarento começou a me bombardear.
Topadas na rua, já era somente um detalhe. Agora tinha certeza de possuir na testa um grande alvo desenhado a qual todos vinham, menos eu. Ele induzia as pessoas a descarregar toda raiva ou sei lá o que, naquele ser ambulante. A parte invisível era talvez meu espaço físico. Estava quase como um João bobo, aqueles que compra para criança bater.
Beleza... O dia passa e a célula é guarda no frízer. Não significando o seu desuso em novas experiências. Um descanso talvez. Passando tudo isso, o melhor é chegar em casa tomar um banho, conversar com o cachorro e vê se pelo menos ele dá um real de atenção. Deitar, chorar e dormir.
Escrito por Suzane Ferreira às 13h25
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Nem todos tabus querem ser quebrados.
Se existe ainda tabu na sociedade, chama-se: Morte! Você pode lutar pelos direitos das mulheres, crianças, adolescente, trabalhadores, políticos... Quebrar credos e acreditar em duendes. Ser abduzido por E.T.s. Efetuar milagres, presenciar aparições. Pode até sediar um espírito no seu corpo. A sociedade esta cheia desses desbravadores de limites.
Talvez você seja um deles. Quando veste uma roupa diferente, ou ouve uma música alternativa, ou simplesmente crê no inacreditável. Não importa a dimensão das ações e a proporção das conseqüências. O fato é simples, quando há quebra de Tabu é irreversível. Duende existe e pronto.
E a Morte? Continua sendo a mesma de muitos e muitos séculos atrás. O comportamento social mudou, os direitos também. Ir a uma praia de nudismo hoje e simplesmente ir à praia de nudismo. A mulher tornou-se independente... As religiões um passatempo. A educação uma profissão. O casamento uma instituição... A morte um grande silêncio.
Tal silêncio arrastado há anos. Tornando-se o principal tabu da vida, ou da morte do homem. Falar em decadência, fim, estagnação, perda desafia toda uma ciência para retardar ou eliminar tal ação. Não adianta, a Morte está ali... Aqui... E é usada com uma boa arma de punição e dor.
Sinceramente, não é muito vantajoso acabar com esse tabu. Como seriam feitas as punições mais ‘justas’ sem a Morte? E os mártires, as guerras, o patriotismo, o terrorismo? São todos valores construídos a partir da base Dela! Não é importante para a sociedade destruir esse tabu. E para remete-lo a memória com maior força, sempre é válido um enforcamento de vez enquanto ou uma cadeira elétrica.
Escrito por Suzane Ferreira às 12h41
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Prometo, vou estudar para a prova! (Final)
Alguns dias se passaram... Quer dizer, literalmente alguns dias se passaram. E finalmente chegou o dia da aula. Aquela certeza, foi reduzida pelos dias em uma mera nota boa. Não deixa de ser algo positivo. Até ali tudo esta dando certo. O azar, ou somente preguiça de não estudar, tinha levado sorte.
Entra na sala... Senta. O professor, como sempre está atrasado. Detalhe, quando não falta. Situação rotineira para estudante de instituição pública. Até nisso privam o aluno, de ter o gostinho de burlar as aulas. Qual a graça de fazer isso, se professor já o faz!! Nem tudo é felicidade pós-vestibular.
O professor chega, pega a pasta contendo as provas. Olha para sala, estufa o peito e proclama está feliz com as boas notas. E por isso deseja canta-las para todos. Começa a exaltação dos escolhidos... Fulano 10, Sicrano 9,5... Elogios e comentários eloqüentes misturam-se com as salivas saltitantes da boca do orador.
A cada minuto a sensação de ser o próximo. Espera... Espera... Espera... a lista dos nomes acaba. “Cadê a nota?” O olhar fixo para o mestre, nada adianta e muito menos as tentativa de interromper a aula para perguntar sobre a prova. Os outros colegas incomodados, alivia a suspeita de ser o único na espera do resultado.
O medo da prova ter se extraviado é real. Baixinho resmungo de tal "sorte". Sorte nada! Não estuda, tem prova de consulta e some a prova!! Muito Finzinho de Feira! Oh! Vida. Em um suplício questiono a nota. O professor olha meio surpreso. Pensa... Ousa duvidar sobre veracidade da existência da prova.
Imediatamente, recuso tal acusação. Absurdo! Ele percebeu o desespero e a raiva brotando na face em formato de rugas. Levanta. E como solução resolve entregar as benditas. E lá está ela! Alívio! Ufa! Pego... Observo... Olho para o do vizinho... toda riscada. Olho para a prova e... “Cadê a nota?”. A prova esta intacta! Nada corrigido!
Sem paciência, olho para o professor e volto a questionar: “Quanto tirei?”. Ele olha para mim... Abre a pasta azul... Mexe em alguns papeis... Olha para teto... Olha para mim novamente... Pensa e disse: “É... Você tirouuuuu... 7,5”. E volta a conversar com os outros alunos. Anoto na orelha da prova e saio com a cabeça vazia, a prova intacta e uma nota fictícia. Depois, ninguém sabe porque fico fazendo promessa para estudar.
Escrito por Suzane Ferreira às 13h17
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